
I
Uma certeira paixão
Guiou um moleque travesso
A puxar bruscamente o barbante envolto
Neste pião
Pulsante e enervado
Meu coração!
E girando em seu próprio eixo
Dos infinitos movimentos rotatórios
No auge da tortura fomentada.
II
O último canto do cisne foi ouvido
Viraste minha alma e meu cadáver pelo avesso:
Silêncio!!!
(Pois minha morte foi anunciada)
.
.
.
Atenção!
Pequena pausa na poesia...
Pausa para a fita cassete ser virada para o lado B
Stop!
Plaft! Tum! Play!
(Barulho da fita sendo retirada, virada e recolocada)
Continuemos agora com a nossa transmissão normal...
(Porém, agora ouvida do outro lado da fita)
O lado B!
O lado pós-morte!
Viraste minha alma e meu cadáver pelo avesso
Mãos e olhos mais experientes
Nunca deixariam de notar
Minha etiqueta
E nela, um lembrete:
VIDE BULA!
Peço por favor: já que minha alma desprendeu-se do corpo físico
Será que daria para você aproveitar e lavá-la?
Olhe ali no canto!
O cântaro de água em que Pôncio Pilatos lavou as mãos!
Ah! Favor usar sabão neutro e secar à sombra!
Pois minha alma é de linho
E por último, enternecido, peço-te
Enxugue tuas sujas mãos numa outra alva alma!
III
Posso até ser xarope
Mas não sou o remédio de seu tédio!
Lembre-se das recomendações do seu psicólogo:
Nunca tome-me após as refeições
Senão advirá uma indigestão
Nunca tome-me antes de dormir
Senão advirá um pesadelo
E nunca ao levantar-se
Senão advirá de acordar manca como um saci
A pular somente com o pé esquerdo, o dia todo
Em suma: Meu remédio é veneno a corações que não me aceitam
Duvida?
Então BEBA-ME!
Te desafio em teu orgulho besta!
E se mal não fizer
Tenho a certeza que o líquido negro desse spleen
Será avivado com a doçura do meu veneno!
Tintim!
Um drink à tua indiferença!
IV
A água represada em seu tanque
Esvaiu-se no redemoinho de então!
Puxaste o tampão e escoaste
Meus sentimentos ralo adentro!
SANGUE-VÍSCERAS-ÓRGÃOS GENITAIS!!!
Tudo legado ao esgoto!
Esvaziaste-me todo o sumo de homem que fui
Ligo a chave da bomba hidráulica
Com vistas a armazenar das profundezas da terra
Toda a água que de mim evadiu-se!
Gastaste a minha água à toa!
Minha saliva, meu suor, meu esperma!
Fingiu-se sedenta e em ti me desaguei
Ralo, sarjeta e vapor!
Água pútrida abandonada ao lodo e aos animais
Criminoso desperdício.
Uma certeira paixão
Guiou um moleque travesso
A puxar bruscamente o barbante envolto
Neste pião
Pulsante e enervado
Meu coração!
E girando em seu próprio eixo
Dos infinitos movimentos rotatórios
No auge da tortura fomentada.
II
O último canto do cisne foi ouvido
Viraste minha alma e meu cadáver pelo avesso:
Silêncio!!!
(Pois minha morte foi anunciada)
.
.
.
Atenção!
Pequena pausa na poesia...
Pausa para a fita cassete ser virada para o lado B
Stop!
Plaft! Tum! Play!
(Barulho da fita sendo retirada, virada e recolocada)
Continuemos agora com a nossa transmissão normal...
(Porém, agora ouvida do outro lado da fita)
O lado B!
O lado pós-morte!
Viraste minha alma e meu cadáver pelo avesso
Mãos e olhos mais experientes
Nunca deixariam de notar
Minha etiqueta
E nela, um lembrete:
VIDE BULA!
Peço por favor: já que minha alma desprendeu-se do corpo físico
Será que daria para você aproveitar e lavá-la?
Olhe ali no canto!
O cântaro de água em que Pôncio Pilatos lavou as mãos!
Ah! Favor usar sabão neutro e secar à sombra!
Pois minha alma é de linho
E por último, enternecido, peço-te
Enxugue tuas sujas mãos numa outra alva alma!
III
Posso até ser xarope
Mas não sou o remédio de seu tédio!
Lembre-se das recomendações do seu psicólogo:
Nunca tome-me após as refeições
Senão advirá uma indigestão
Nunca tome-me antes de dormir
Senão advirá um pesadelo
E nunca ao levantar-se
Senão advirá de acordar manca como um saci
A pular somente com o pé esquerdo, o dia todo
Em suma: Meu remédio é veneno a corações que não me aceitam
Duvida?
Então BEBA-ME!
Te desafio em teu orgulho besta!
E se mal não fizer
Tenho a certeza que o líquido negro desse spleen
Será avivado com a doçura do meu veneno!
Tintim!
Um drink à tua indiferença!
IV
A água represada em seu tanque
Esvaiu-se no redemoinho de então!
Puxaste o tampão e escoaste
Meus sentimentos ralo adentro!
SANGUE-VÍSCERAS-ÓRGÃOS GENITAIS!!!
Tudo legado ao esgoto!
Esvaziaste-me todo o sumo de homem que fui
Ligo a chave da bomba hidráulica
Com vistas a armazenar das profundezas da terra
Toda a água que de mim evadiu-se!
Gastaste a minha água à toa!
Minha saliva, meu suor, meu esperma!
Fingiu-se sedenta e em ti me desaguei
Ralo, sarjeta e vapor!
Água pútrida abandonada ao lodo e aos animais
Criminoso desperdício.
Juliano Vieira
O Pião, do livreto "Poesias Esparsas"
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