Abandonei meu mundo
Deixando para trás
Dois vulcões extintos
E uma linda rosa...
A me esperar
Cacei um cometa errante
E confiei-lhe
Meu destino!
(Todos os dias, o aeroporto na frente de casa me ensina lições de...
...partir)*
Lancei-me ao vasto universo
E o acaso me lançou como dados errantes
A este jogo
Planeta Terra!!!
Quanta diferença com o meu mundo de outrora
B-612!!!
Quanta aridez!
E como vocês daqui nomearam:
Sertão!
B-612
Talvez seja uma pequena partícula de seu sertão
Que desprendeu-se e por fim perdeu-se no espaço
Ontem, escutei o velho Gonzagão
E chorei...
"Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação, eu te asseguro, não chore não, viu, que eu voltarei, viu, meu coração"**
Ah, Gonzaga, no meu sertão, lá bem longe, no espaço sideral
Também possuo a minha rosinha
Que só cresce com as águas dos meus olhos
Agora, apercebo-me aqui, neste novo planeta
Agora, com um cravo nas mãos a zelar...
Dilema...
Volto ao Brasil naexpectaviva das
612 rosas cultivar?
Quantas delas, daquelas reles brotaram?
612?
Por enquanto aguardo apenas o andar da carruagem
Desta revolução dos cravos que em mim se instaurou.
* Poética, Manuel Bandeira
** Asa Branca, Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira.
Juliano Vieira
Epitáfio para o Pequeno Príncipe, do livreto "Poesias Esparsas"
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